
A Prefeitura de Plácido de Castro anunciou, na manhã deste sábado (29), que determinou a realização imediata de uma auditoria completa em toda a frota de veículos escolares do município. A medida foi tomada após o grave acidente ocorrido por volta das 17h15 desta última sexta-feira (28), quando um ônibus da Escola Domingos Galdino, pertencente à Secretaria Municipal de Educação, por pouco não caiu dentro de um açude situado em uma propriedade rural às margens da Rodovia AC-40, nas proximidades do Distrito do
Triunfo, após apresentar falha mecânica na barra de direção. No veículo, estavam crianças, monitores e o motorista, que foram socorridos ao hospital Dr. Manoel Marinho Monte com escoriações e ferimentos leves.
O coletivo transportava crianças da unidade de ensino para a zona rural quando o motorista perdeu o controle devido à falha mecânica. A parte frontal do ônibus atingiu a barragem, quebrando vidros e causando danos ao motor. Apesar do susto, não houve vítimas fatais.
Em nota oficial, a Administração Municipal assegura que desde os primeiros instantes do ocorrido, as secretarias competentes, como a Secretaria Municipal de Educação, Assistência Social e Direitos Humanos e a Secretária de Saúde, estão prestando atendimento integral aos alunos e familiares, com oferta de atendimento psicológico, assistência social especializada e acompanhamento médico, o que confirma o compromisso da gestão com a proteção da infância, da dignidade humana e da segurança no serviço público.
No entanto, o caso acendeu um alerta sobre as condições de manutenção dos veículos responsáveis pelo transporte diário de centenas de alunos da zona rural. Segundo a nota, será instaurado procedimento administrativo para apurar as causas do acidente, bem como identificação das respectivas responsabilidades, observando o devido rigor legal, o contraditório e à ampla defesa.
A administração municipal reforçou que determinou a imediata realização de auditoria em toda a frota de veículos escolares municipais, incluindo os utilizados por empresas terceirizadas, com vistas à verificação da correta manutenção preventiva e corretiva, o que reforça o compromisso da gestão na promoção da segurança absoluta dos estudantes e demais usuários dos serviços de transporte escolar.
A prefeitura também informou sua atuação firme e imediata, determinando prioridade total, na busca de uma resposta célere e humana para esse fato e reafirmando o compromisso com a transparência, a responsabilidade administrativa e ocuidado com a população, especialmente com as crianças, e manterá a sociedade informada quanto à evolução das medidas adotadas.
Traumas
Em Plácido de Castro, denúncias sobre ônibus em mau estado de conservação são recorrentes. No entanto, medidas efetivas só estão sendo tomadas após quase acontecer uma tragédia, o que vinha se perpetuando um ciclo de insegurança e insatisfação entre pais e alunos.
Quando uma criança vivencia um grave acidente — como o ocorrido ontem [sexta-feira, 28], onde o veículo quase caiu dentro de um açude — os impactos vão muito além dos ferimentos físicos. Mesmo quando não há lesões graves, o trauma emocional pode permanecer e se manifestar de formas variadas, afetando o bem-estar psicológico, o rendimento escolar e a sensação de segurança.
Em situações como essa, é comum que a criança reviva mentalmente o momento do acidente. Barulhos fortes, a lembrança da água próxima, o movimento brusco do veículo ou a visão da agitação ao redor podem desencadear medo, ansiedade e inquietação. Algumas passam a demonstrar resistência em voltar a utilizar o transporte escolar, enquanto outras apresentam alterações no sono, como pesadelos ou dificuldade para adormecer.
O trauma também pode afetar o comportamento. Crianças que antes eram tranquilas podem demonstrar irritabilidade, tristeza repentina, choro fácil ou tendência ao isolamento. Em muitos casos, elas não conseguem expressar verbalmente o que sentiram, mas manifestam o impacto emocional através de mudanças de atitude, queda no desempenho escolar ou perda de interesse por atividades que antes apreciavam.
O apoio familiar e escolar é fundamental nesse processo de recuperação. Ouvir a criança, validar seus sentimentos e oferecer um ambiente seguro contribuem para reconstruir a sensação de confiança. Em situações onde o medo persiste por muito tempo ou começa a interferir intensamente nas atividades diárias, o acompanhamento com um psicólogo infantil pode ser necessário. A articulação entre família, escola e profissionais de saúde garante que a criança tenha suporte adequado para superar o impacto emocional e seguir desenvolvendo-se de forma saudável.
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