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Breve história do extinto Parque Ecológico de Plácido de Castro

Ecoparque Municipal do Seringueiro: ecologia do abandono.

06/02/2026 às 20h43
Por: Redação
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 Fonte: Blog do Peter Lucena
Fonte: Blog do Peter Lucena

Criado pela Lei nº 038, de agosto de 1991 o Parque Ecológico que nasceu como status de referência na preservação do meio ambiente na Amazônia, “que era para ser o mais importante parque ecológico do Acre, com 34 hectares e mais de 100 espécies da flora tropical, hoje não passa de um projeto abandonado e destruído pela ação do homem, sem compromisso com o meio ambiente.”

Ao visitante logo era visível a frase que desde logo já o instruía sobre o comportamento e respeito com o ambiente, o qual naquele local se deveria tomar: “Daqui nada se tira, apenas fotografias. Nada se deixa, apenas pegadas. Nada se leva, apenas boas lembranças”.

Entrada do extinto Parque Ecológico em foto de 2011 - Foto: Valentin

Formado por três ecossistemas: o terrestre, o aquático e o de transição. O terrestre formado pela capoeira alta, campo sujo e floresta tropical aberta; o aquático formado pelos igarapés Alvoredo e Visionário, e o de transição formado pela floresta tropical aberta, a qual fica submersa durante três meses no período o inverno. O acesso ao parque, formado pelo varadouro iniciado na rodovia AC-475, km 2, por muitos anos era o caminho de entrada, passagem dos turistas rumo ao barracão, casa em que havia todos os pertences do patrão.

Logo à esquerda, mais aos fundos do campo estavam localizadas a casa do seringueiro e a defumaceira. Era um local de tranqüilidade e volta ao passado dos seringais, era ali que o seringueiro podia reviver e recordar, ao menos em instantes se desligar do mundo atual e adentrar em sua fantasia na vivência junto à floresta amazônica da época dos grandes seringais, ali mesmo tocando nos utensílios utilizados na extração do látex, a cabrita, a poronga, as tigelas, a defumaceira, os princípios de sernambi para a formação da péla da borracha, reviver o passado ao menos em fantasias e fortes lembranças presentes, materializadas naqueles utensílios seringalísticos tão importantes para os antigos (arigós) e descendentes, quanto para a formação da nossa própria história placidiana.

Neste registro de 2011, as trilhas estavam desaparecendo aos poucos com o fechamento da floresta. Foto: Valentin.

Nos arredores do barracão, já na floresta, encontravam-se as árvores e demais plantas da floresta, dentre as quais castanheiras, seringueiras, palmeiras, bananeiras bravas, angelins, catuabas, bacabas, mogno, açaí, patoá, cacau nativo e apuí. Aves e passarinhos faziam a festa no parque cantando em sinfonias cujas melodias atraíam a atenção dos turistas e visitantes.

O varadouro se ramificava em várias trilhas as quais davam acesso tanto às seringueiras, trilhas de seringas, quanto à observação dos vários tipos de plantas nativas da Amazônia, as quais eram identificadas com placas com seu nome comum e seu nome científico.

Havia também os animais da floresta que habitavam aquele local, os quais poderiam ser vistos ao caminhar das trilhas, serem observados bem de perto, num contato total com a natureza que logo os sentidos humanos percebiam aquela sensação de ar fresco e puro da mata densa, o qual amansava a alma humana e nos tornava mais naturais porque o ar fresco purificado pela floresta densa que circula na mata nos amansa aproximando-nos mais da natureza, num total relaxamento da mente, um alívio para a saúde mental de cada ser humano que, naquele instante de visita fazia nos esquecer da conturbação do mundo exterior, cheio de problemas e compromissos.

Registro de 2011, mostra tentativa da Prefeitura de Plácido de castro em relaizar Reflorestamento do local, realizado no ano de 2010 - Foto: Valentin.

A cidade tornou-se um ponto de freqüentes visitas de turistas que vinham da Capital e de várias outras localidades para visitar o parque ecológico e aproveitar a oportunidade para fazer compras de produtos importados na recém criada Vila Montevidéo, no lado boliviano.

Finais de semana e feriados podia-se perceber a fileira de carros que se formava desde a sede da Prefeitura até a Praia do Marco, o que aumentava o movimento na cidade, nos hotéis e restaurantes. Foram tempos de grande movimentação no município, jamais vistos anteriormente.

Antigas construções existentes no local até o ano 2011 - Foto: Valentin.

Apesar de toda essa iniciativa rumo à preservação ambiental, o destino do Parque Ecológico foi trágico. A área foi local de um grande incêndio que queimou boa parte da floresta, e, se não bastasse isso, o poder público municipal abandonou de tal forma a conservação e preservação da área ecológica que atualmente o que se vê é apenas um grande matagal.

Por outro lado, os órgãos públicos que deveriam fazer a fiscalização, fazem vista grossa frente ao abandono de uma área ecológica destinada especificamente à preservação da natureza, ao turismo e ao estudo científico.

*Texto publicado originalmente no dia 13 de maio de 2011 em: https://luizpereirapc.blogspot.com/2011/08/parque-ecologico-de-placido-de-castro.html?m=1

 

 

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