
O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), foi às redes sociais na tarde desta segunda-feira (19) para reforçar que não vai acabar com o Bolsa Família, se eleito.
"Ele [Lula] está dizendo por aí que eu acabaria com o Bolsa Família em até dois anos. É óbvio que isso não vai acontecer. É óbvio que isso é mentira. Você que recebe o Bolsa Família fica tranquilo, o seu benefício está garantido, porque eu vou cuidar de você", declarou Flávio em vídeo.
"O que eu estou fazendo de proposta que é muito melhor do que isso? É para incentivar você, caso você queira, quando você arrumar um emprego de carteira assinada ou abrir a própria empresa, você continua recebendo o seu Bolsa Família por até dois anos. Não é bem diferente? O que eu quero com isso? Eu quero que você cresça. E se acontecer alguma coisa nesse meio tempo, você for demitido, por exemplo, ou a sua empresa não der certo, no mesmo dia você está recebendo o Bolsa Família”, falou em outro trecho.
O candidato do PL diz que o próprio Lula estaria espalhando o que chamou de "fake news daquela cabeluda".
A declaração de Flávio nas redes sociais e a preocupação da campanha acontece após fala de uma de suas auxiliares para a área econômica, Daniella Marques, de que o programa social terá um período de transição de dois anos em um eventual governo Flávio Bolsonaro, ao dar entrevista à CBN Bahia.
Conforme Daniella indicou, o beneficiário seguiria recebendo o Bolsa Família mesmo se conseguisse um emprego formal ou abrisse uma empresa, perdendo o auxílio após se manter mais de 24 meses nesse cenário. Caso houvesse demissão ou a empresa não desse certo nesses dois anos, a pessoa poderia retornar ao programa.
"As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada", citou também Daniella, em linha com os próprios discursos de Flávio ao longo da campanha.
A declaração com o período de transição, no entanto, já começou a ser explorada por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, como uma vontade de Flávio para acabar com o Bolsa Família.
Flávio, por sua vez, disse que "bateu o desespero" na campanha adversária.
"Estão querendo enganar as pessoas e estão usando essa estratégia de botar medo em você. O medo que ele quer esconder é o medo das ruas que estão inseguras, é o medo de ele olhar na cara de quem está devendo por culpa desse atual governo, que não consegue organizar suas contas e, por causa disso, suas contas estão atrasadas e você não consegue pagar", afirmou Flávio.
Os repasses do Bolsa Família de outubro começam a ser depositados nas contas dos beneficiários a partir desta segunda, seguindo os reajustes realizados pelo governo federal em meados de setembro.
Ao invés de terminar no dia 30 de outubro, os depósitos foram unificados para terminarem já nesta quarta-feira, 21 de outubro, às vésperas do segundo turno das eleições, que acontecem no domingo (25).
No comunicado, o governo diz que se trata de uma medida preventiva para mitigar os efeitos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. A antecipação valerá também para novembro e dezembro, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Neste mês, o pagamento do benefício conta com o reajuste anunciado pelo governo. Sendo assim, o valor mínimo é de R$ 691, enquanto o benefício médio estimado passa de R$ 675 para R$ 777. Além dos valores, o pagamento também foi antecipado.