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El Niño pode intensificar seca e ondas de calor no Acre nos próximos meses, alerta Defesa Civil

Boletins indicam tendência de menos chuva e temperaturas acima da média no Norte; Rio Acre baixo também preocupa por causa do abastecimento

Redação
Por: Redação Fonte: A Gazeta.Net
14/10/2026 às 17h45 Atualizada em 14/10/2026 às 17h50
El Niño pode intensificar seca e ondas de calor no Acre nos próximos meses, alerta Defesa Civil
Imagem ilustrativa.

O Acre deve permanecer em alerta nos próximos meses para os efeitos do El Niño, que pode intensificar a estiagem, reduzir as chuvas e aumentar a ocorrência de ondas de calor no estado. A avaliação é reforçada por boletins divulgados por órgãos federais de monitoramento climático, que apontam forte probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que as condições de seca se agravaram em várias partes do país entre agosto e setembro. No Norte, Roraima e Amazonas aparecem entre os estados com piora mais significativa, enquanto Acre também registrou avanço das condições de seca em áreas monitoradas.

O cenário preocupa principalmente porque a tendência para o último trimestre do ano é de menos chuva no centro-norte do Brasil e temperaturas acima da média. Segundo o boletim conjunto de Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Defesa Civil Nacional e Censipam, há 95% de chance de o El Niño alcançar intensidade muito forte entre outubro, novembro e dezembro.

Defesa Civil acompanha cenário

O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, coronel Cláudio Falcão, afirmou que os efeitos do fenômeno podem se manifestar de forma diferente em cada região do país.

Enquanto o Sul tende a registrar volumes de chuva acima da média e maior risco de cheias, o centro-norte deve enfrentar condições mais secas, com menos precipitação e temperaturas elevadas.

Imagem: Reprodução/TV Gazeta

“Nós temos agora terminado o mês de setembro, onde tivemos praticamente o dobro de chuvas previstas, mas ainda nós temos os meses subsequentes, que é o mês de outubro, novembro e dezembro, porque há uma previsão da comunidade científica, de diversos órgãos de meteorologia, para que possa acontecer ainda a intensificação do fenômeno El Niño, trazendo para a nossa região a diminuição de chuvas, ondas de calor, enquanto que lá no Sul do país acontece o contrário”, afirmou.

Segundo Falcão, a Defesa Civil mantém atenção sobre os possíveis efeitos do fenômeno nos próximos meses, especialmente por causa da irregularidade climática e da possibilidade de novos extremos.

“Então a gente precisa estar atento para tudo que ainda pode acontecer oriundo do fenômeno de El Niño”, disse.

Ondas de calor e risco para o abastecimento

Outro ponto de preocupação é a possibilidade de ondas de calor. Segundo Falcão, períodos prolongados com temperaturas acima do normal podem afetar diretamente a saúde da população.

“Nós temos previsão de ondas de calor. O que é onda de calor? São cinco dias consecutivos com temperaturas com 5 graus acima do normal. E isso é praticamente totalmente possível acontecer aqui em Rio Branco”, afirmou.

Além do calor, o nível baixo do Rio Acre também é acompanhado pela Defesa Civil por causa dos impactos que uma estiagem prolongada pode causar no abastecimento de água.

“A questão também do abastecimento de água, nós temos um nível do Rio Acre bastante baixo, a captação fica com dificuldade”, disse Falcão.

Segundo ele, mesmo com vazão suficiente neste momento para atender à captação urbana, comunidades da zona rural e áreas com menor capacidade de armazenamento podem sentir os efeitos de uma estiagem mais prolongada.

El Niño pode estar entre os mais fortes desde 1950

Em agosto, o Inmet já havia divulgado projeção da NOAA apontando probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte nos trimestres entre setembro e janeiro.

O mesmo levantamento indicou 69% de chance de o episódio atual se tornar o mais intenso já registrado desde 1950, com possibilidade de anomalias de temperatura do Oceano Pacífico superiores a 2,5°C.

O fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. Historicamente, eventos fortes de El Niño estão associados a chuvas mais irregulares e abaixo da média em partes das regiões Norte e Nordeste, além de temperaturas elevadas.

Planos de contingência

Diante do cenário, a Defesa Civil de Rio Branco afirma que mantém planos de contingência preparados tanto para períodos de estiagem quanto para possíveis enchentes, já que a aproximação do período chuvoso também exige monitoramento.

A enchente de 2026 voltou a atingir áreas de Rio Branco e reforçou a preocupação com eventos climáticos extremos no Acre, que agora também enfrenta alerta para seca e ondas de calor nos próximos meses. – Imagem: Arquivo/Prefeitura de Rio Branco

A avaliação é de que 2026 tem apresentado um comportamento atípico, o que torna o acompanhamento climático ainda mais importante nos próximos meses.

Os órgãos federais recomendam que estados e municípios revisem seus planos de contingência, acompanhem os avisos meteorológicos e mantenham atenção especial às áreas mais vulneráveis a seca, calor extremo, incêndios e dificuldades de abastecimento.

 

 

 

 

 

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